Um Momento Fugaz
8 min | cor | estéreo | 2026 | filmagens de arquivo | documentário experimental
Uma exploração abstrata da imigração, narrada por um imigrante, feita para não imigrantes.
Comentário:Muitas vezes, sinto que não tenho as palavras certas para falar sobre a experiência de ser imigrante. Talvez eu já tenha esgotado todo o meu vocabulário para descrever o que sinto, sempre incapaz de traduzir a dor específica da partida ou o vazio de quem fica.
Por um lado, se eu produzisse um curta-metragem para o público estrangeiro retratando a “vida de imigrante”, o resultado pareceria impessoal. Por outro, falar a um público brasileiro sobre a sensação de imigrar para os EUA soaria desonesto. Quando me dirijo a alguém que ficou no Brasil, não é para falar sobre tê-lo deixado para trás.
Isso não significa que eu não pense nisso. Na maioria das vezes, é tudo o que consigo fazer.
Penso em como, quando criança, eu olhava para cima sempre que um avião passava.
Penso em como ainda procuro esses mesmos aviões, sem saber exatamente por quê.
Penso no rangido do chão do meu apartamento em Chicago.
Penso em como nenhuma casa jamais pareceu tão grande quanto a da minha avó, quando engatinhava pelo chão dela.
Penso em como todas as conversas que já ouvi foram se acumulando, fixando-se no fundo da minha memória.
Penso em como todo o meu tempo está espalhado por cômodos por onde jamais voltarei a pisar.
Penso tanto nisso tudo que o silêncio me sufoca, embora eu não saiba como expressar o que sinto.
Isso me transporta de volta à infância, no banco de trás do carro dos meus pais, observando paisagens fugazes que passavam tão rápido que mal conseguia percebê-las.
É a única sensação que sinto que consigo recriar para os outros. No fim das contas, é tudo o que posso fazer.
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